JEEP WILLYS 1951

Hoje contaremos para vocês a história de um Jeep Willys 1951, mas não um Jeep qualquer, e sim um Jeep  pródigo, se assim podemos chamá-lo.
Para compreender um pouco melhor esta travessia usaremos o marco inicial de uma família. No dia 20 de janeiro de 1944 foi celebrado o casamento de André Marciliano Jorge e Olinda Rodrigues Jorge que após o casamento foram morar em um pequeno vilarejo chamado Monte Alverne distante 12 quilômetros de Manhuaçu, no interior de MG.
Naquela época o meio de transporte usual era o cavalo, assim sendo Neguim Jorge (apelido por qual o senhor André era conhecido) ganhou de presente de seu pai uma mula chamada Fubica.
Fubica não gostava muito de dureza: para colocá-la no cabresto era preciso percorrer todo o pasto correndo e quando finalmente a colocavam no trabalho descobriam que tinha os dentes afiados e mordia bem!
Com o passar dos anos Neguim Jorge comprou um cavalo dócil que puxava a marijara do engenho para fazer rapadura. Com este cavalo Neguinho Jorge vinha à cidade e levava o que faltava para o sustento de seus 6 filhos que sonhavam com um meio de transporte mais cômodo.
Para alegria de todos foi comprada uma charrete. Quando Neguim colocou o cavalo para puxar a charrete o bicho saiu em disparada quebrando várias partes da charrete e desfazendo mais um sonho...
Passando o tempo a carroça foi consertada e todos vinham a cidade no transporte da família. Mas sempre querendo o melhor, Neguim Jorge entrou no programa do Banco do Brasil que pagava pelo corte dos pés de café com baixa produção. Nesta ocasião foi arrecadado 2.000 cruzeiros que foi usado para a compra do tão sonhado Jeep em junho de 1972. Era uma verdadeira festa vir à cidade de jipe!
Eis que surgia um problema: agora tinham o carro, mas não tinham o motorista! E assim Neguim Jorge se viu obrigado a tirar a carteira de motorista. Quanta dificuldade! Muitas idas e vindas até uma cidade próxima a Manhuaçu e Neguim não desanimava, apesar de ter feito o exame várias vezes e ter sido reprovado.
Este Jeep tem várias histórias, uma delas é que Neguim às vezes deixava o combustível na reserva e quando acabava na estrada e alguém perguntava o que havia acontecido ele respondia meio irônico: É defeito de automóvel! A sorte é que naquela época quase não tinha trânsito, porque Neguim sempre atravessava a rua com o sinal fechado!
E assim se passaram muitos anos até que Neguim foi acometido por AVC que o deixou com falta de tato no pé esquerdo. Entretanto o esforço falava mais alto, ele colocava sandália nos pés e abotoava e vinha para cidade e voltava para a roça dirigindo o Jeep. Outros derrames vieram e acabaram por deixar Neguim impossibilitado de andar, falar e sem condições de administrar o que possuía. Assim com consentimento da esposa e dos filhos venderam o carro no início da década de 90.
Na época da venda, Renato, o filho mais novo de Neguim, ficou muito chateado por não poder comprar o carro. Ele gostaria de tê-lo mantido, pois era a recordação viva de uma trajetória de sua vida. O Jeep foi o primeiro carro no qual ele andou e sendo nele também que aprendeu a dirigir.
De lá para cá Renato sempre manteve uma paixão por Jeep´s e sempre dizia que um dia compraria um para si. Nos últimos anos, toda vez que ele vê um Jeep, ele para, olha, pergunta se está a venda. Quando aparece a oportunidade vai às feiras de carro procurar um Jeep para comprar. E sempre buscando por um Jeep 51, mesmo ano do Jeep de sua juventude.
Acompanhando a vida e os sonhos de Renato ao longo dos anos, seus filhos e esposa decidiram lhe dar um presente especial , um Jeep 51! E aí começou a busca pelo carro. Vários veículos foram olhados até que a mãe de Renato, sabendo da intenção dos netos e da nora, lhes deu o documento antigo do veículo. De posse desse documento e com ajuda de alguns familiares conseguiram rastrear e encontrar o então atual dono do Jeep. Por sorte este dono, que já estava com o jeep a 17 anos, estava pensando em vendê-lo. Após algumas negociações os filhos e a esposa de Renato conseguiram finalmente comprar o carro.
Para alegria de todos, após uma travessia de 32 anos, o Jeep pródigo volta a família.
Tudo foi feito em segredo! O Jeep foi trazido de Juiz de Fora (MG), reformado para voltar a cor original e hoje, 20 de novembro de 2010, é entregue a Renato, na celebração de comemoração do seu aniversário de 53 anos!